quarta-feira, 1 de junho de 2011

Turismo, a Salvação da Lavoura

Por vezes ouvimos números fantásticos relacionados ao turismo. A atividade turística com certeza tem gerado muita renda e emprego por todo mundo, havendo cidades que vivem exclusivamente do dinheiro trazido pelos turistas e das atividades correlatas. Isso leva-nos a ter uma ótima impressão, o que é verdade, e pensar que ela implantada em nossa região trará grandes resultados econômicos e empregos.

Levando-se em conta as dificuldades da lavoura orizícola neste momento, com preço muito baixo conforme expõem os produtores e ainda a sempre incerteza quanto ao resultado do cultivo da cebola e a atividade florestal sendo a que parece menos vulnerável, alguns imaginam que o turismo pode ser uma grande alternativa a estas atividades comerciais existentes.

Ao se conhecer o funcionamento do setor turístico e suas exigências para implantação esse equívoco se desfaz. Existe sim a possibilidade do turismo mover estes números gigantescos que vimos pelo mundo aqui na península riograndense, porém exigiria proporcionalmente gigantescos investimentos e provocaria tremendas modificações na forma de vida da população. Especialmente mudanças negativas na qualidade de vida dos cidadãos. Imaginem jogar milhares de pessoas em nossas cidades, sim milhares de pessoas, uma das poucas formas de se equiparar a atividade turística ao volume de recursos gerados e movimentados pelas atividades econômicas já instaladas. Poderia resumir isso como “caos instalado”.

A Adetur percebe o grande potencial aqui existente e crê no desenvolvimento deste na região, porém de forma paulatina e diversificada, onde serão vários os agentes da sociedade envolvidos, como pequenos e grandes produtores rurais, comerciantes, entidades representativas, poder público, entre outros. É um trabalho extenso e conjunto que deve ser realizado e proporcionará resultados sólidos e duradouros.

Marcelo Santos Severo.

Turismólogo

Presidente Adetur Mostardas Tavares

(Associação para o Desenvolvimento do Turismo em Mostardas e Tavares)

3 comentários:

  1. Olá Marcelo! Como sempre teus textos são marcantes e consistentes. Concordo plenamente contigo, pois o turismo que estamos pretendendo para a região é um turismo consciente. Ou seja, um turismo com preocupação social e ambiental, além é claro, da comercial. Descobrir uma maneira de satisfazer ao máximo essas questões é o grande desafio de um turismólogo. Um abraço e bom trabalho.

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  2. "provocaria tremendas modificações na forma de vida da população. Especialmente mudanças negativas na qualidade de vida dos cidadãos."
    A quais mudanças negativas tu te refere? Pois é difícil, diria quase impossível, atrair "milhares" de pessoas para a nossa região sem que haja uma melhora na estrutura da cidade, principalmente no que diz respeito às condições das vias públicas, melhorias nos restaurantes, lancherias, mais hotéis, etc... Vejo grandes benefícios à população, e não pontos negativos (ou melhorias na infraestrutura é um ponto negativo?).
    Mesmo que "milhares" de turistas "invadam" as nossas ruas, devo lembrar que, o turista, salvo raríssimas exceções, não visita lugar nenhum para criar problemas, e mesmo milhares deles não seriam suficientes para um "caos" se instalar. Visite Gramado, visitada por milhares de pessoas, e veja se algum turista sequer arranca uma flor do canteiro da rua!
    O teu maior erro, a meu ver, está na comparação de duas atividades completamente distintas, comparar turismo com agricultura? A agricultura está presente há mais de 200 anos, enquanto o turismo está engatinhando!
    O turismo pode ser uma grande alternativa sim! Creio que daqui a 5 ou 10 anos veremos grandes mudanças em nossa região, aliás hoje já existem pessoas que vivem disso por aqui!

    Fica aqui a minha crítica, e espero a resposta para "quais os pontos negativos que a atividade turística pode gerar?".

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  3. Olá a todos.

    Em relação ao comentário do nosso amigo Fetter, gostaria de salientar, com olhar de turismólogo, que o turismo em massa não é o adequado para nossa região. A península gaúcha é de fragilidade ambiental e por isso o turismo precisa ser controlado. Não temos condições de receber muitos turistas ao mesmo tempo. Veja alguns casos em outras partes do mundo e no Brasil que causaram problemas.
    México: As praias Mexicanas, devido a exploração desordenada do turismo, tornaram-se tão comuns que tanto faz ir lá quanto a outro países próximos que se encontram as mesmas coisas: praias com águas quentes, bons hotéis, muita gente, bons restaurantes. Ora pra que viajar até lá, isso temos também no nordeste brasileiro.
    Itália: Em Veneza os moradores de algumas ruas hostilizam os turistas;
    Natal, RN: Altos preços dos produtos. A imposição de deslocamento dos moradores para novos locais, com a especulação imobiliária, sem a devida recompensa.

    O turismo desordenado gera: esgotamento de recursos naturais; grande quantidade de construções, descaracterizando a paisagem original; aumento da produção de lixo e esgoto; alteração de ecossistemas naturais devido à introdução de espécies exóticas (de fora da localidade) de animais e plantas; compra de lembranças produzidas a partir de elementos naturais escassos; descaracterização cultural, com perda de valores tradicionais; aumento do custo de vida, gerando inflação; geração de fluxos migratórios para áreas de concentração turística; e adensamentos urbanos não planejados, favelização.

    Por isso e por outras, como quase tudo, o turismo tem o lado bom e o lado ruim. Queremos sim o desenvolvimento da atividade, mas de forma planejada, de forma consciente e duradoura.

    Cristiano Frantz

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